Sua alma gritava, implorava, e ainda assim as lágrimas pareciam ter secado. E assustava-lhe admitir a fraqueza de desistir outra vez, mergulhar na realidade e enxergar que a luz que lhe resgatara daquela caverna escura tinha se apagado. A mesma luz que acendera em seu peito a suspeita de que a noite é que era passageira, e não o dia. Voltaria para a caverna escura, sempre noite... Tinha novamente fracassado, e temia enxergar a luz novamente, caso algum dia uma nova surgisse. Um medo que a escondia por trás de uma máscara, forte e sólida, que fazia todos pensarem que não sentia nada, nunca. Talvez fosse a única maneira de tentar convencer a si mesma de que realmente não deveria voltar a sentir nada, jamais. Precisava apagar todas as memórias que construíra na tentativa de preencher seu vazio, transformá-las em meras ilusões, e todos os sonhos em pesadelos.
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