"(...) Fechou os olhos. Não era mais capaz de
controlar a força que lhe consumia, que implorava para que parasse de lutar
contra o que há muito tempo já havia deixado de ser questão de escolha. E
sentiu como se seus pés lentamente se elevassem do chão, enquanto uma força
etérea os envolvia. Algo em seu peito estava quente e saltava euforicamente, enquanto
o que parecia uma brisa gelada dançava em seu estômago, causando um adorável
paradoxo. Aquele abraço fazia-lhe sentir-se tão segura como se nenhum mal
pudesse atingi-los enquanto estivessem ali, e sentiu-se reconfortada de todo o
peso que lhe dominara até então. Seu mais profundo desejo era o de que aquele
momento jamais se acabasse.
Quando abriu os olhos, a primeira coisa que viu
foi o azul profundo dos olhos dele, que brilhavam ainda mais agora, e sentiu como
se estivesse finalmente curada do mais profundo desespero, que finalmente havia
aliviado o que esteve engasgado, sufocando, durante tanto tempo. Haviam se
tornado cúmplices. Demoraram alguns segundos para que alguém conseguisse dizer alguma coisa. (...)"
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