Tuesday

"Ainda no chão, apoiou-se no único degrau da escada de pedra cinzenta, e sabe-se lá quantas horas se passaram até que fosse capaz de se levantar novamente. As últimas forças que lhe restavam só serviram para que se rastejasse até a parede, na qual se apoiou e finalmente conseguiu respirar depois te toda aquela agonia que lhe tirara todo ar. Nada poderia cessar sua dor ali, naquele corredor escuro, naquele momento que era só dela, longe dos olhos do mundo. A madrugada estava mais fria do que conseguia se lembrar, e, somada ao desespero que queimava em seu peito, jamais havia estado tão sombria. Nas profundezas de sua alma tudo o que havia era um grito, implorando por socorro. Mas agora era tarde, e seria inútil desperdiçar qualquer energia que quebrasse aquele silêncio letal, agora que seu único remédio havia lhe deixado para sempre."

1 comment:

Anonymous said...

(…) Mais uma vez ele acordou de súbito no meio da noite. Noites mal dormidas haviam tornado-se comuns. Lembranças povoavam sua mente naquele momento e misturavam-se criando um turbilhão de sentimentos difícil de descrever: sentia o peito apertado, sentia-se engasgado, sentia-se preso, mas acima de tudo, sentia-se culpado. Culpado por não ter lutado o suficiente. Culpado por não ter tido coragem, quando coragem foi necessária. O turbilhão continuava. Sua mente estava acelerada, e ele sentia seu corpo transpirar. Queria gritar. Sentia o peso de uma vida não vivida, de um sonho não sonhado. O aperto no peito aumentava. O que fazer agora? O mesmo destino que lhe deu uma oportunidade única, encarregou-se de solapar todos os resquícios, apagar os caminhos e fechar as portas. No entanto, apesar de tudo, ele ainda tinha as lembranças. Maravilhosas lembranças. Únicas. E mais uma vez ele se agarrou a elas. Este era seu bálsamo. Esta era a única maneira de sentir uma vez mais o sabor daquelas noites. E assim o turbilhão se acalmou. E assim adormeceu novamente.

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